Quarta-feira

Há feridas que só nós podemos curar. Feridas que ninguém vê, porque ninguém pensa que são feridas. Feridas, que quando as pessoas falam connosco sobre elas, pensam que nos estão a ajudar, sem perceber que estão a por o dedo na ferida e a abri-la ainda mais. Não as posso culpar. Mesmo eu, sem querer, ponho o dedo na minha própria ferida. Dói. Choro e durmo sobre o assunto. No dia seguinte evito pensar na ferida, como se ela assim desaparecesse. Funciona durante uns tempos. Funciona, até alguém sem querer nos vir falar das feridas, pensando que nos estão a ajudar.

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