Sábado

não gosto de frio. odeio sentir frio, odeio andar encolhida com o frio. odeio andar cheia de roupa e de casacos e de cachecóis por causa do frio, não me consigo mexer à vontade por causa do frio. odeio acordar a meio da noite porque tenho os pés frios e não consigo dormir. odeio ter sempre as mãos congeladas. odeio não conseguir beber sumo de laranja porque está demasiado frio. odeio estar constipada por causa do frio, e com dores de garganta e com dores de cabeça por causa da merda do nariz entupido. odeio ter as mãos secas e os lábios secos e sei lá mais o quê. odeio, ok? ok.
mas, por outro lado: não gosto de calor. odeio sentir demasiado calor, sempre a suar e a cheirar mal, a maquilhagem se aguentar intacta 10 minutos é um feito histórico. odeio não conseguir dormir porque esta demasiado calor, odeio não conseguir dormir abraçada a ti porque está demasiado calor. odeio o sol estupidamente quente. odeio ter que me besuntar de protector solar a toda a hora, até mesmo se for só ali à varanda estender a roupa, porque se não puser protector solar arrisco-me a ficar tão vermelha como um tomate. odeio toda a gente a falar em ir para a praia e em ficar lá de manhã à noite estendidos numa toalha a apanhar sol, odeio tomar banho na água salgada. odeio que o sol me dê dores de cabeça. odeio que quando uso sapatilhas os pés suem. odeio não puder beber chá porque está demasiado quente e chá frio é esquesito. odeio que a minha pele fique oleosa. odeio, ok? ok.
posto isto, que venha o mês de maio ou finais de setembro, em que não está frio, nem calor. em que podemos usar manga curta sem suar que nem uns cavalos e em que podemos usar meias fofas com bolinhas sem ripar um frio do cacete.

ps: e sim, estou de mau humor hoje. acordei com dor de cabeça. lindo e maravilhoso.

Segunda-feira

Pim.
Pam.
Pum.
Cada bola mata um.

Terça-feira

Nunca percebi aqueles "amigos" que se afastam. Escrevo "amigos" entre aspas porque se fossem realmente amigos não se afastavam. A vida por vezes faz-nos seguir caminhos diferentes, é verdade, mas o contacto só se perde se ambos quisermos. Há sempre o telemóvel, a porcaria do facebook para perguntar se está tudo bem e como vão as coisas (e haverá sempre as cartas) ou dois minutos para beber um cafezito, digo eu. Mas há sempre aqueles que se afastam... E depois eu vou lá e pergunto como estão e se querem beber um café ou dar uma voltinha, a resposta, essa, é sempre a mesma, "hum, não há tempo... a universidade... muitos trabalhos para fazer." ou então a história de sempre "ah pois, tens andado sem tempo não é? agora também tens namorado, é normal.". 
Mesmo que andasse sem tempo, amigos são amigos, porra!
Ora, eu também nunca fui de ter muito amigos, portanto... Tenho meia dúzia de amigos, esses pelo menos sei que não desaparecem sem dizer nada. Alguns estão longe e mesmo assim mantemos o contacto como se estivéssemos perto, mas que me faz confusão as pessoas afastarem-se sem mais nem menos, faz.

Domingo




Ontem a fazer zapping parei na rtp2, estava a dar Crash, fiquei a ver. Já vi este filme mais de 7 ou 8 vezes e choro sempre, até acho que cada vez choro mais a ver este filme. É, sem dúvida, dos melhores filmes de sempre.

Segunda-feira

#18

Em vida Senhor Alfredo nunca teve boa fama. Era cego e assustava as pessoas. Andava sempre com um guarda-chuva, chovesse ou não chovesse, e vestia-se mal, não via, era cego.
Mas, o Senhor Alfredo via mais do que devia. Ao conversar com as pessoas dizia-lhes coisas que elas não queriam ouvir. E ao sentir as mãos de cada pessoa descobria-lhes a vida. O Senhor Alfredo não conseguia controlar tais coisas, assim como não conseguia controlar os seus olhos.
Nunca ninguém olhava olhos nos olhos com o Senhor Alfredo, dizia-se que se se olhava via-se como se ia morrer e as pessoas tinham medo disso.
O Senhor Alfredo acabou por se isolar das pessoas pouco a pouco. E raras começaram a ser as vezes em que ele saia à rua. Quando saia apenas ia à tabacaria e voltava logo para casa. Numa dessas vezes, o Senhor Alfredo, conheceu a D. Adélia, que era maluca, e que logo lhe olhou, olhos nos olhos, e viu como ia morrer: estendida no chão de sua casa, assim sem mais nem menos.
D. Adélia não tinha medo do Senhor Alfredo, mas ela era maluca, apesar de alguns dizerem que foi o Senhor Alfredo que a enlouqueceu, mas quem é maluco já nasce maluco. E foi assim, que o Senhor Alfredo, que era cego conheceu a D. Adélia, que era maluca.

Quarta-feira


A Balada do Café Triste, Carson McCullers

Li-o tão bem que nem me apercebi quando o acabei de ler. Gosto tanto deste tipo de livro, que se pega e lê-se mesmo bem. É livro tranquilo, que nos conta a história de Miss Amelia.